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Independentemente dos esforços que fizermos para conter a crise climática, uma em cada três geleiras dos sítios do Patrimônio Humanitário da Unesco desaparecerá até 2050. Em 20 anos, seu derretimento elevou os oceanos em mais de 3 mm. O assunto será discutido no próximo G27 de Sharm el Sheik

Vatican News

Um terço das geleiras dos sítios do Patrimônio da Humanidade da Unesco em todo o mundo desaparecerá até 2050. Independentemente de nossos esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. E para preservar as que restam, é imperativo manter a temperatura global abaixo de 1,5 graus. Porque o derretimento das geleiras vem avançando a um ritmo acelerado desde o início dos anos 2000 e esta tendência não mostra sinais de diminuição. Esta é a mensagem entregue pela Unesco três dias antes do início da conferência climática, G27 que se realizará em Sharm El-Sheikh, no Egito, de 7 a 18 de novembro de 2022. Todos os 50 sítios da UNESCO revisados no relatório “O Patrimônio Humanitário das Geleiras: sentinelas da mudança climática” perderam massa nos últimos 20 anos a um ritmo de 58 bilhões de toneladas de gelo por ano. A água da fusão, terminando nos oceanos, contribuiu com 4,5% da elevação do nível do mar observada desde 2000, ou seja, de 3,22 mm.

Derretimento das geleiras, as que correm maior risco

O sítio com a maior perda líquida de massa de gelo de 2000 a 2020 foi o de Kluane / Wrangell-St. Elias / Glacier Bay / Tatshenshini-Alsek 487 Gt (Canadá, EUA), seguido por Ilulissat Icefjord (Dinamarca) com 350 Gt, Vatnajökull National Park – Dynamic Nature of Fire and Ice (Islândia) com 132 Gt, Los Glaciares National Park (Argentina) com 88 Gt e Aasivissuit – Nipisat (Dinamarca) com 39 Gt. Estes cinco sítios representam cerca de 95% da perda total de massa de gelo da rede do Patrimônio Mundial.

Quais geleiras correm maior risco? As projeções indicam que, independentemente do cenário climático aplicado, as geleiras em todos os sítios do Patrimônio Mundial fora das calotas polares e com áreas glaciais de menos de 10 km2 poderiam desaparecer quase completamente nos próximos 30 anos. Estamos, portanto, falando do derretimento das geleiras mais icônicas do planeta, desde o Kilimanjaro (mas também as outras geleiras africanas, o Monte Quênia e o complexo Rwenzori-Virunga) até as Dolomitas (Itália), Yellowstone Park e Yosemite, nos Estados Unidos.

“Em um cenário de alta emissão de gases de efeito estufa (RCP8.5), as geleiras em pelo menos mais 10 sítios (principalmente sítios com uma área glacializada entre 10 e 100 km2) poderiam desaparecer quase completamente até 2100, e a perda de massa de gelo poderia atingir mais de 8.000 Gt no total (ou cerca de 20 mm de elevação do nível do mar equivalente)”, afirma ainda o relatório.



Por VaticanNews